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Em sete décadas de existência
o Instituto Evandro Chagas contribuiu diretamente para o avanço
das pesquisas médicas na Amazônia. A prova disso são
as inúmeras descobertas nos campos da Parasitologia, Virologia
e Bacteriologia que lhe deram destaque nacional e internacional.
Ao longo desse tempo, com o apoio de organizações
brasileiras e estrangeiras, dezenas de pesquisas foram implementadas
com sucesso.
Dentre as pesquisas que tiveram repercussão mundial, estão:
a descoberta, pela primeira vez na América do Sul, de um
hemoproteídeo novo em morcegos; a incriminação
do Anopheles darlingi e do Anopheles aquasalis, como
os principais transmissores de malária em Belém; a
demonstração na filariose, da periodicidade noturna
das microfilárias no sangue periférico e seu transmissor,
o Culex quinquefasciatus; a revelação de novos
hospedeiros silvestres do Trypanosoma cruzii, (a irara e
a mucura-xixica); o estudo da biologia do Anopheles gambiae,
transmissor da malária; a mostra da freqüência
de infecção do T. cruzi no Pará, em
mamíferos silvestres; descrição de duas novas
espécies de anofelinos, o Anophles galvaoi e o Anopheles
dunhami; a mostra da freqüência da filariose bancroftiana
em Belém e a elucidação do meio de transmissão
da doença; o primeiro diagnóstico no Brasil, em material
oriundo de Manaus, da Mansonella ozzardi; a descoberta da
infecção natural de uma espécie de barbeiro
- Panstrongylus lignarius - pelo T. cruzii; a constatação,
pela primeira vez na Amazônia, da infecção de
ratos pela Leptospira e de pessoas e vacas por brucelas.
Na área da Parasitologia o IEC fez um completo estudo sobre
a ecologia e a epidemiologia da leishmaniose tegumentar. O resultado
foi a caracterização específica das Leishmanias
humanas encontradas no Norte do Brasil e uma nova classificação
das Leishmanias do Novo Mundo, atualmente utilizada pela OMS. Hoje,
o IEC possui uma das maiores coleções mundiais de
cepas de Leishmania, conservadas em nitrogênio líquido.
Foram identificados os reservatórios silvestres e os principais
vetores das Leishmania (V.) brasiliensis, Leishmania
(V.) guyanensis, Leishmania (L.) amazonensis,
Leishmania (V.) lainsoni e Leishmania
(V.) naiffi.
As conquistas sobre a doença de Chagas incluem o registro
dos primeiros casos autóctones na Amazônia brasileira;
a caracterização bioquímica das cepas de Trypanosoma
cruzi e a conseqüente identificação dos zimodemos
1, 2 e 3; a identificação de 12 espécies de
triatomíneos e a incriminação de nove dessas
espécies como possíveis vetores da doença na
Amazônia.
As pesquisas sobre malária resultaram na caracterização
enzimática, antigênica e biológica de cepas
de Plasmodium vivax na Amazônia, e o estudo da resistência
do P. falciparum a drogas antimaláricas, como cloroquina,
mefloquina, quinino e amodiaquina, “in vitro” e “in
vivo”.
Os estudos sobre esquistossomose comprovaram, pela primeira vez,
a infecção natural de Biomphalaria glabrata
por Schistosoma mansoni, em Belém, e conseguiram isolar,
também pela primeira vez, uma cepa de S. mansoni,
de um caso autóctone no Pará.
Na área da Virologia, a principal conquista do IEC, foi
o isolamento e caracterização de 187 tipos diferentes
de arbovírus, um recorde mundial que deu à instituição
renome nacional e internacional.
A estas conquistas somam-se o diagnóstico em laboratório
da poliomielite e outras doenças causadas por vírus
através de técnicas de cultivo celular; a demonstração
pela primeira vez, da presença do rotavírus no Brasil,
em parceria como Instituto de Medicina Tropical de Hamburgo; a detecção,
pela primeira vez, da ocorrência do vírus influenza
H1 N1 no país, sendo que a cepa isolada passou a ser utilizada
mundialmente como amostra padrão, com a denominação
A/Brasil/11/78; a pesquisa sobre papilomavírus humano com
mulheres da zona urbana de Belém e de aldeias indígenas,
comprovando a associação deste vírus com o
câncer de colo de útero.
Quanto aos Arbovírus, destacam-se os isolamentos do vírus
da febre amarela no Brasil; o primeiro registro no país da
espécie Haemagogus albomacullatus e sua implicação
como vetor da febre amarela silvestre; o primeiro isolamento do
vírus amarílico a partir do sangue de um indígena;
o estabelecimento do ciclo urbano da febre Oropouche (Culicoides
paraensis, Culex quinquefasciatus e homem); a transmissão
experimental do vírus Oropouche do homem ao hamster, pela
picada do Culicoides paraensis, a revelação
do envolvimento do Sabethes glaucodaemon, pela primeira vez,
como transmissor da febre amarela; o estabelecimento de ciclos de
inúmeros arbovírus, muitos deles patogênicos
para o homem e a detecção da primeira epidemia de
dengue no Brasil, em bases clínico-laboratoriais.
No estudo das hepatites, de relevância cabem a identificação
e caracterização da febre negra de Lábrea e
o registro, pela primeira vez no Brasil, da presença do vírus
Delta, em colaboração com o CDC (EUA).
Na área da Bacteriologia foram feitos importantes estudos
epidemiológicos e ecológicos, particularmente sobre
enteroinfecções bacterianas e leptospirose. Com a
abertura de estradas na Amazônia, foram obtidas várias
descobertas científicas, como, por exemplo, a descrição
da Síndrome Hemorrágica de Altamira. O primeiro foco
de oncocercose no Brasil foi revelado em terras dos índios
Yanomami, sendo realizados estudos sobre sua distribuição
geográfica, transmissão e vetores implicados, além
dos sintomas e tratamento adequado.
A pesquisa sobre Coccídios obteve a descrição
de uma nova família de parasitos maláricos no sangue
de répteis, com 3 gêneros e 9 espécies novas.
Outras 51 novas espécies de coccídios, do sangue ou
do intestino, foram descritas em peixes, anfíbios, lagartos,
cobras, quelonídeos, jacarés, pássaros e mamíferos
selvagens. Foi registrado ainda o primeiro isolamento de toxoplasma,
em um caso da doença na Amazônia, além de vários
exemplos de infecções fatais em animais selvagens,
como a preguiça e a raposa.
A área de Entomologia Médica e Helmintologia registra
conquistas no trabalho sobre lagoquilascaríase, como contribuição
amazônica para pesquisas em nível mundial. Também
é responsável pela realização de importantes
estudos sobre os mecanismos de transmissão ao homem e aos
animais domésticos. No campo da terapêutica, a demonstração,
pela primeira vez, da infecção natural do gato doméstico
pela espécie causadora da doença no homem. Os trabalhos
sobre acidentes hemorrágicos causados por larvas de mariposa
levaram a identificar a larva da mariposa Lonomia achelous
como agente causador. As pesquisas sobre miíases foram importantes
para o estudo dessas afecções em patologia humana,
demonstrada através da pesquisa em 70 casos, permitindo dessa
forma, diagnosticar as características clínicas e
epidemiológicas da doença, na Amazônia.
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