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países e até então
não havia sido detectada no Brasil, o Instituto
Oswaldo Cruz, na época chefiado pelo cientista Carlos
Chagas, organizou a Comissão de Estudos de Leishmaniose
Visceral Americana, sob a coordenação do Dr. Evandro
Chagas.
A Comissão chega ao Pará em 1936 e instala-se na
localidade de Piratuba, no município de Abaetetuba, de onde
fora remetido o material analisado por Henrique Penna. À
frente de uma equipe formada por jovens médicos e farmacêuticos,
Evandro Chagas logo descobriu que a Amazônia era um campo
fértil para pesquisas nas áreas médica e científica.
Foi então que sugeriu ao governador da época, José
Carneiro da Gama Malcher, que instalasse um instituto de pesquisa
destinado a ampliar os estudos sobre as doenças regionais.
Com seu apoio surge, mediante a Lei
n° 59 a 11 de novembro de 1936, o Instituto de Patologia
Experimental do Norte (IPEN), cujo objetivo inicial era estudar
o Calazar e outras endemias regionais.
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O primeiro diretor administrativo foi Antônio Acatauassú
Nunes Filho, catedrático de Microbiologia. Evandro Chagas
foi nomeado Diretor Científico e conseguiu pela sua liderança
e inteligência lúcida, formar uma equipe com jovens
profissionais saídos das faculdades de medicina e farmácia,
constituindo assim a primeira escola de pesquisadores de carreira
em saúde em nossa região. Dentre eles estavam Jayme
Aben-Athar, Leônidas Deane, Gladstone Deane, Otávio
Mangabeira Filho, Madureira Pará, Felipe Nery Guimarães,
Geth Jansen, Benedito Sá, Reinaldo Damasceno e Maria José
Paumgartten (depois Maria P. Deane).
Evandro Chagas transformou a Comissão de Estudos de Leishmaniose
Visceral Americana em Serviço de Estudos das Grandes Endemias,
responsável pelo estudo da leishmaniose e de outras doenças
existentes na região. Com o passar dos anos, as atividades
foram ampliadas, incluindo estudos sobre leishmaniose tegumentar
(que produz lesões na pele e mucosas), tripanossomíase
americana e eqüina, malária e filariose.
O IPEN também entrou na campanha, realizada no Nordeste,
contra o Anopheles gambiae (transmissor da malária
humana, importado do continente africano através da aviação),
instalando no Ceará um laboratório para diagnóstico
da doença e identificação desse mosquito. Diante
dos resultados preliminares dos estudos desenvolvidos, Evandro Chagas
decidiu fazer pesquisas de campo em vários pontos da Amazônia.
Em 1940, em conjunto com a Delegacia Federal de Saúde, o
IPEN iniciou um vasto estudo sobre malária, distribuindo
equipes bem treinadas pelo Pará, Amazonas e Acre.
Em 8 de novembro de 1940, no auge de sua atividade científica
e aos 35 anos de idade, Evandro Chagas falece precocemente, vítima
de acidente aéreo. Em reconhecimento ao trabalho realizado
pelo cientista na região, em 2 de dezembro daquele ano, o
Governo do Estado deu ao IPEN o nome de Instituto Evandro Chagas.
Em 1942, o Serviço Especial de Saúde Pública
(SESP), organismo concebido pelos governos brasileiro e americano,
incorporou o IEC como seu laboratório central e órgão
de pesquisa, dotando-o em 1943 de um moderno hospital, o qual funcionou
até o final da década de 40. Em 1954 foram implantadas
as pesquisas na área de virologia, com o aval técnico
e financeiro da Fundação Rockefeller.
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No início da década de 60, o diagnóstico de
várias viroses foi possível com a implantação
de técnicas de cultivo celular. A partir de 1965, foram implementados
programas na área da parasitologia com ênfase à
leishmaniose tegumentar, fruto de um convênio envolvendo a
Fundação SESP (FSESP), Escola
de Medicina Tropical da Universidade de Londres e Wellcome
Trust.
Outros convênios de cooperação foram firmados
a partir de 1973 com o Instituto
Walter Reed de Washington, Instituto
de Medicina Tropical de Hamburgo, Universidade Vale e ORSTOM,
sendo fundamentais para o crescimento institucional.
Em 22 de maio de 1970, através do Decreto
n.º 66.624, o IEC foi transferido do âmbito da FSESP
para a Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ),
sendo reintegrado à FSESP em 11 de julho de 1975 e ficando
subordinado diretamente à Presidência até 1990,
como organismo de pesquisas biomédicas.
Em 1991 passou a fazer parte da Fundação
Nacional de Saúde (FNS)
criada com a fusão da FSESP e Superintendência de Campanhas
de Saúde Pública (SUCAM).
O Decreto
n.º 3.450 de 9 de maio de 2000 estabeleceu as unidades
descentralizadas nas quais estão incluídos entre outros
o Instituto Evandro Chagas. Em 9 de junho de 2003 (Decreto
n.º 4.726), o IEC passou a integrar a estrutura da Secretaria
de Vigilância em Saúde (SVS),
como unidade gestora independente, na qual encontra-se atualmente. |
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