O programa de Iniciação
Científica, como parte da proposta do CNPq
de incentivar o interesse do aluno para a pesquisa e para a Saúde
Pública trás para o Instituto Evandro Chagas (IEC)
a responsabilidade de ensinar os procedimentos básicos, sem
os quais o aprendizado fica sem alicerces, e manter esse aluno informado
sobre os avanços mais recentes e disponíveis gerados
pela tecnologia.
Completando esse objetivo temos a partir deste ano, aqui no IEC,
o PIBIC Júnior, iniciativa do Governo
do Estado do Pará, através da Secretaria de Indústria
Comércio e Mineração. São jovens que
iniciam mais cedo a olhar para o futuro pela ótica da pesquisa
a serviço da Saúde Pública.
No momento está em pauta a Bioinformática como tema
de um seminário, discutindo essa tecnologia que nasceu da
reunião de diferentes áreas do conhecimento tais como:
a matemática, a engenharia de softwares, a ciência
da computação, a estatística e a biologia molecular.
Ela permitiu que os conceitos fossem materializados em tecnologia
a serviço da necessidade de associações cada
vez mais numerosas e complexas.
A partir da grande descoberta, na década de 50, de que o
DNA era a molécula repositório da informação
genética, e sua estrutura química foi desvendada no
célebre trabalho de Watson e Crick, e todo o avanço
que foi possível a partir desse ponto com o posterior conhecimento
do código genético e do mecanismo de transmissão
de informações dentro do polímero, nasceu a
Biologia Molecular, exigindo novos e mais rápidos métodos
de análise.
Em resposta aos desafios do recente conhecimento surgiram os métodos
de seqüenciamento que permitiam a leitura de diferentes seqüências
constituintes de um determinado DNA, ainda que lentamente. Os seqüenciadores
automáticos, na segunda metade dos anos 90 aceleraram o processo
gerando uma enorme quantidade de seqüências armazenadas
esperando para serem analisadas, associadas e interpretadas.
Dessa urgência nasceu a Bioinformática, respondendo
no primeiro momento ao anseio de respostas dos geneticistas, e logo
após a muitas outras demandas. Na área da saúde
destacamos a seleção e classificação
de proteínas viáveis e ideais para preparação
de novos medicamentos; reconhecimento de padrões biomédicos
que possam dar apoio ao diagnóstico e a tomada de decisão
de gestores e a criação de sistemas inteligentes para
ensino em diferentes instâncias, entre outros.
No momento o IEC está iniciando um Núcleo de Bioinformática,
por iniciativa da Seção de Virologia,
através do Dr. Ronaldo Barros de Freitas. Esperamos que esse
Núcleo agregue também as iniciativas do PIBIC. Toda
tecnologia nova vem carregada de mistérios que lentamente
vão adquirindo os contornos da realidade, até se tornarem
apenas o que realmente são: instrumentos novos para conhecer
e analisar melhor a enorme gama do conhecimento humano que a cada
dia é produzido e nos chega, respondendo a inúmeras
indagações e deixando milhares de outras para serem
respondidas pela tecnologia do futuro. É assim que a humanidade
caminha, desde a conquista do fogo, até os dias de hoje.
Que venha a bioinformática e o seu cortejo de inovações.
Elisabeth Conceição de Oliveira Santos
Diretora do Instituto Evandro Chagas |